Uma capela, algumas ruas e um auditório guardam em Embu a memória de Cássio M’Boy. O santeiro chegou à cidade em 1920 e, depois, ganhou medalha de ouro numa exposição internacional em Paris, em 1937.
Um estudo da USP publicado em agosto aponta o artista como figura central na história cultural da cidade. Para o pesquisador Christian Mascarenhas, a rede de artistas reunida por ele está na base da Feira, criada em 1969. Além disso, essa rede ajudou a consagrar o nome Embu das Artes, adotado em 2011.
Do ateliê de santos à medalha
Cássio da Rocha Matos nasceu em Mineiros do Tietê, no interior paulista. Em Embu, começou a esculpir imagens sacras em madeira e, por isso, ficou conhecido como santeiro. Ele morreu em São Paulo, em 1986.
A obra premiada foi a pequena escultura de madeira “Fuga para o Egito”. O prêmio veio na Exposição Internacional de Artes e Técnicas, como registra o artigo da USP. Já a Câmara Municipal de Embu fala em “1º Grande Prêmio”.
Contato com os modernistas
O mesmo estudo registra o contato dele com nomes do modernismo paulista. Entre eles estão Tarsila do Amaral, Anita Malfatti, Menotti Del Picchia e Oswald de Andrade. Ele também integrou o Clube dos Artistas Modernos, de Flávio de Carvalho.
Para a Câmara, esses artistas frequentavam a casa dele em Embu, assim como Alfredo Volpi e Yoshiya Takaoka. Com o tempo, artistas de outras áreas também passaram a frequentar a casa, e Embu virou polo de atração.
Depois, o santeiro passou a formar novos artistas. Em 1951, conheceu o japonês Tadakiyo Sakai, o Sakai de Embu, e o iniciou na arte. Mais tarde, em 1959, acolheu Mestre Assis, que em 1961 convidou o poeta Solano Trindade a morar em Embu.
Onde ver hoje
No Centro Histórico, a Capela de São Lázaro guarda a imagem que Cássio esculpiu em madeira nos anos 1920. A peça tem tamanho natural e, no começo, ficava num anexo da casa do artista. Assim, a capela nasceu em torno dessa escultura, segundo o estudo da USP.
A comunidade ergueu a capela em 1934. Em 1969, ela ganhou linhas em harmonia com o Conjunto Jesuítico, informa a Prefeitura. Além da imagem, a capela tem o “Santo Cristo” entalhado por Zé Santeiro.
Também no Centro, o santeiro morou na antiga Rua da Capelinha, hoje Rua da Matriz, conta a Câmara.
No Cercado Grande, uma rua leva o nome do artista, como mostra a base de CEPs dos Correios. No mesmo bairro ficam as ruas Tarsila do Amaral, Alfredo Volpi e Yoshiya Takaoka. Para a Câmara, essas homenagens lembram os modernistas que visitavam a casa dele.
O nome do artista também batiza um espaço do Centro Cultural Mestre Assis do Embu, no Centro. A página de turismo da Prefeitura o descreve como auditório Cássio M’Boy, com 150 lugares. Pela mesma descrição, o espaço é destinado a palestras, recitais, shows e peças de teatro, com programação gratuita.
Para saber mais
Quem quiser ir além pode ler o artigo completo de Mascarenhas, aberto ao público na revista Pos FAUUSP. Por sua vez, o texto da Câmara, feito no centenário da Semana de Arte Moderna, continua no site do Legislativo.
Serviço
- Capela de São Lázaro: entre a Rua da Matriz e a Rua Nossa Senhora do Rosário, Centro Histórico
- Ruas com nomes do santeiro e de modernistas: Cássio M Boy, Tarsila do Amaral, Alfredo Volpi e Yoshiya Takaoka, no Cercado Grande
- Auditório Cássio M’Boy: Centro Cultural Mestre Assis do Embu, Largo 21 de Abril, 29, Centro



