Sunday, 1 de November de 2026Sun, 1 Nov

Sabe quem foi Cássio M’Boy? Ouro em Paris e obra à vista em Embu

Fachada azul e branca da Capela de São Lázaro, em estilo colonial, com placa de identificação, no Centro Histórico de Embu das Artes
Capela de São Lázaro, no Centro Histórico de Embu das Artes, onde está a imagem de São Lázaro esculpida por Cássio M’Boy. Foto: enioprado/Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

Uma capela, algumas ruas e um auditório guardam em Embu a memória de Cássio M’Boy. O santeiro chegou à cidade em 1920 e, depois, ganhou medalha de ouro numa exposição internacional em Paris, em 1937.

Um estudo da USP publicado em agosto aponta o artista como figura central na história cultural da cidade. Para o pesquisador Christian Mascarenhas, a rede de artistas reunida por ele está na base da Feira, criada em 1969. Além disso, essa rede ajudou a consagrar o nome Embu das Artes, adotado em 2011.

Do ateliê de santos à medalha

Cássio da Rocha Matos nasceu em Mineiros do Tietê, no interior paulista. Em Embu, começou a esculpir imagens sacras em madeira e, por isso, ficou conhecido como santeiro. Ele morreu em São Paulo, em 1986.

A obra premiada foi a pequena escultura de madeira “Fuga para o Egito”. O prêmio veio na Exposição Internacional de Artes e Técnicas, como registra o artigo da USP. Já a Câmara Municipal de Embu fala em “1º Grande Prêmio”.

Contato com os modernistas

O mesmo estudo registra o contato dele com nomes do modernismo paulista. Entre eles estão Tarsila do Amaral, Anita Malfatti, Menotti Del Picchia e Oswald de Andrade. Ele também integrou o Clube dos Artistas Modernos, de Flávio de Carvalho.

Para a Câmara, esses artistas frequentavam a casa dele em Embu, assim como Alfredo Volpi e Yoshiya Takaoka. Com o tempo, artistas de outras áreas também passaram a frequentar a casa, e Embu virou polo de atração.

Depois, o santeiro passou a formar novos artistas. Em 1951, conheceu o japonês Tadakiyo Sakai, o Sakai de Embu, e o iniciou na arte. Mais tarde, em 1959, acolheu Mestre Assis, que em 1961 convidou o poeta Solano Trindade a morar em Embu.

Onde ver hoje

No Centro Histórico, a Capela de São Lázaro guarda a imagem que Cássio esculpiu em madeira nos anos 1920. A peça tem tamanho natural e, no começo, ficava num anexo da casa do artista. Assim, a capela nasceu em torno dessa escultura, segundo o estudo da USP.

A comunidade ergueu a capela em 1934. Em 1969, ela ganhou linhas em harmonia com o Conjunto Jesuítico, informa a Prefeitura. Além da imagem, a capela tem o “Santo Cristo” entalhado por Zé Santeiro.

Também no Centro, o santeiro morou na antiga Rua da Capelinha, hoje Rua da Matriz, conta a Câmara.

No Cercado Grande, uma rua leva o nome do artista, como mostra a base de CEPs dos Correios. No mesmo bairro ficam as ruas Tarsila do Amaral, Alfredo Volpi e Yoshiya Takaoka. Para a Câmara, essas homenagens lembram os modernistas que visitavam a casa dele.

O nome do artista também batiza um espaço do Centro Cultural Mestre Assis do Embu, no Centro. A página de turismo da Prefeitura o descreve como auditório Cássio M’Boy, com 150 lugares. Pela mesma descrição, o espaço é destinado a palestras, recitais, shows e peças de teatro, com programação gratuita.

Para saber mais

Quem quiser ir além pode ler o artigo completo de Mascarenhas, aberto ao público na revista Pos FAUUSP. Por sua vez, o texto da Câmara, feito no centenário da Semana de Arte Moderna, continua no site do Legislativo.

Serviço

  • Capela de São Lázaro: entre a Rua da Matriz e a Rua Nossa Senhora do Rosário, Centro Histórico
  • Ruas com nomes do santeiro e de modernistas: Cássio M Boy, Tarsila do Amaral, Alfredo Volpi e Yoshiya Takaoka, no Cercado Grande
  • Auditório Cássio M’Boy: Centro Cultural Mestre Assis do Embu, Largo 21 de Abril, 29, Centro
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Redação Diário do Embu

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