Terça-feira, 6 de outubro de 2026Ter, 6 out

Caso Larissa: o que se sabe sobre a morte em Embu

Fachada lateral de prédio de pedra bege com janelas gradeadas e um poste de iluminação antigo na calçada.
Palácio da Justiça, sede do Tribunal de Justiça de São Paulo, na capital. Imagem ilustrativa. Foto: Wilfredor/Wikimedia Commons, licença CC BY-SA 4.0 (https://creativecommons.org/licenses/by-sa/4.0/)

O soldado da Polícia Militar Vinicius Costa Silva, de 26 anos, virou réu pela morte da esposa, Larissa da Cruz Morata, de 29. Segundo o Metrópoles e a RedeTV, a 3ª Vara de Embu das Artes recebeu a denúncia do Ministério Público no caso Larissa em 30 de setembro. Ele nega o crime e diz que Larissa tirou a própria vida.

Na mesma decisão, a Justiça converteu a prisão temporária do soldado em preventiva, de acordo com os dois veículos. O processo corre em segredo de Justiça. Por isso, o texto completo da denúncia não é público.

Depois disso, um novo laudo trouxe dados sobre resíduos de tiro. Veja abaixo o que se sabe até agora.

Linha do tempo

  • 6 de setembro: Larissa é encontrada morta em casa, em Embu das Artes.
  • 7 de setembro: a Polícia Civil prende o soldado de forma temporária.
  • 28 de setembro: o Ministério Público denuncia o soldado por feminicídio.
  • 30 de setembro: a Justiça recebe a denúncia e decreta a prisão preventiva.
  • 3 de outubro: o SBT News divulga o resultado do laudo residuográfico.

O que aconteceu

Larissa, técnica em radiologia, foi encontrada morta no domingo, 6 de setembro. Ela estava no banheiro da casa onde vivia com o marido e o filho de 2 anos do casal. Tinha um ferimento de tiro na cabeça.

Segundo a Agência Brasil, o próprio Vinicius chamou a PM. Ele disse ter achado a mulher morta ao acordar.

O SBT News e o Metrópoles relatam o depoimento dele. Segundo os veículos, ele afirmou que ela tirou a própria vida após uma conversa sobre o fim do relacionamento.

A Polícia Civil registrou o caso como morte suspeita. No dia seguinte, prendeu o soldado de forma temporária, durante o velório de Larissa. De acordo com a Agência Brasil e o G1, ele seguiu para o Presídio Militar Romão Gomes, na capital.

Na época, a delegada de Embu das Artes, Bruna Caracho Crippa, explicou a suspeita à Folha de S.Paulo. Segundo ela, havia “dúvida razoável quanto a se tratar de suicídio, em razão daquilo que foi apurado no local, da perícia técnica e de todos os elementos colhidos pelos investigadores”. O site TNH1 republicou o trecho.

O que dizem os laudos

O laudo necroscópico do Instituto Médico Legal (IML) apontou traumatismo craniano por tiro como causa da morte, segundo o G1. A Folha e o Metrópoles também relataram a trajetória do disparo descrita no laudo. Segundo os dois veículos, o tiro foi de trás para frente e da esquerda para a direita.

Além disso, o laudo descreveu várias lesões no corpo, como hematomas e escoriações em mãos, pés, pernas e pescoço. A Folha e o Metrópoles falaram em 17 lesões. Já o G1 contou 19.

O segundo laudo é o residuográfico, feito pelo Instituto de Criminalística. Esse exame procura partículas deixadas por disparos de arma de fogo. Segundo o SBT News, o exame encontrou partículas de chumbo nas duas mãos de Larissa.

Nas mãos de Vinicius, o exame achou uma partícula na mão esquerda e nenhuma na direita. Também havia partículas de chumbo nas duas mangas da blusa que ele usava, de acordo com o SBT. A emissora informou que o laudo está concluído, mas ainda não chegou oficialmente à Polícia Civil.

O que diz o Ministério Público

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) denunciou o soldado por feminicídio em 28 de setembro, segundo o G1 e a Folha. Para a Promotoria, o crime ocorreu no contexto de violência doméstica e familiar, o que o qualifica como feminicídio. A denúncia também pede que ele vá a julgamento no Tribunal do Júri.

Na denúncia, a promotora Camila Bonafini Pereira escreveu: “A versão de suicídio da vítima sustentada pelo denunciado não encontra respaldo nos elementos até então reunidos”. Segundo ela, o exame necroscópico mostrou um tiro da esquerda para a direita, e Larissa era destra.

A Promotoria também pede uma indenização mínima de R$ 100 mil aos herdeiros de Larissa. Entre eles está o filho do casal.

O que diz a defesa

O soldado nega o crime. A defesa, do advogado Roberto Montanari, sustenta desde o início que Larissa tirou a própria vida.

Em nota ao Metrópoles, a defesa chamou a morte de “fatalidade”. O texto diz ainda: “Trata-se de uma tragédia profundamente dolorosa, que atingiu de forma irreparável as famílias envolvidas e, sobretudo, o filho do casal”.

Os advogados também afirmam que Vinicius nunca foi violento com a mulher, segundo a RedeTV. Depois que ele virou réu, a defesa não respondeu ao Metrópoles.

Próximos passos do processo

Com a denúncia recebida, o caso segue o rito dos crimes julgados pelo júri. Primeiro, a defesa apresenta a resposta à acusação. Em seguida, o juiz ouve testemunhas e as partes nas audiências de instrução.

No fim dessa fase, o juiz decide se o réu vai ou não a julgamento no Tribunal do Júri. Enquanto isso, Vinicius continua em prisão preventiva.

Onde pedir ajuda

  • Violência contra a mulher: Ligue 180, a Central de Atendimento à Mulher
  • Emergência: 190, da Polícia Militar
  • Apoio emocional: CVV, pelo telefone 188
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Redação Diário do Embu

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